Tenho observado como estamos despreparados para lidar com sofrimento. Muitos cristãos acham que não devemos sofrer nunca. E se estamos sofrendo, porque é castigo de Deus. Por isso, muitas pessoas acabam se afastando ou rejeitando a Deus diante do sofrimento, pois acreditam que não deveriam passar por aquilo. Muitas vezes, isso também acontece por não compreenderem a teologia do sofrimento.
E sabe o que fazemos quando vemos nossos filhos sofrendo? Muitas vezes, tentamos distraí-los. Quando estão chorando, damos um presente, oferecemos alguma coisa para entretê-los. Mas essas soluções não tratam o sofrimento de verdade e não ajudam a dar significado às experiências que eles estão vivendo. Assim, eles vão se enchendo de coisas que divertem e distraem, mas, quando finalmente silenciam a alma, percebem um vazio tão grande que não sabem como preenchê-lo — porque nunca lhes foi apresentado um caminho para lidar com a escuridão da própria alma.
Esse é o retrato de muitos dos meus amigos. Eles têm problemas, enfrentam sofrimentos, carregam dores, mas não buscam Deus para conversar e para compartilhar suas angústias. Muitas vezes, escolheram viver sem Deus, mas, no fundo, sentem falta dEle. Acreditem nisso: seus amigos sentem falta de Deus. Seus filhos sentem. Os jovens sentem. Existe uma fome intensa, uma sede profunda.
Não saber qual é o seu propósito, não entender por que está sofrendo, não encontrar sentido para aquilo que está vivendo, pode ser uma dor muito grande.
Nós somos como mendigos que um dia encontraram comida. E o que fazemos? Simplesmente mostramos aos outros onde encontramos alimento.
Por isso, quando encontrei a razão para viver e compreendi o propósito da minha própria vida, desejei profundamente que outras pessoas também pudessem experimentar isso. Foi por esse propósito que escolhi fazer psicologia. Mas, quando me formei, percebi que, como psicóloga dentro das regras profissionais existentes, não teria liberdade para compartilhar abertamente a minha fé.
Foi então que tomei uma decisão muito importante — da qual nunca me arrependi — eu queria continuar ajudando pessoas em seus sofrimentos emocionais, mas também queria ter a liberdade de dizer a elas que Deus intervém, que Deus se importa e que Ele é o Salvador do mundo.
Ele é o Salvador das nossas vidas. É Ele quem nos dá alegria e propósito. É Ele quem renova e restaura todas as coisas. Ele tem poder para ressuscitar. Nada é impossível para Deus.
E quando você crê em um Deus assim e pode levar essa esperança e essa salvação a pessoas que estão desesperadas por elas, isso se torna um grande privilégio. Um privilégio que nós, que um dia fomos alcançados pela salvação, temos: continuar apontando para Aquele que pode salvar, restaurar e dar sentido à vida.